o que é a asma

asma é uma doença brônquica que se manifesta por meio de crises de dificuldade respiratória com produção de silvos (sibilâncias). Essas crises devem-se à obstrução dos brônquios por secreções mais ou menos abundantes, dilatação da mucosa e contracção dos músculos brônquicos. A dificuldade respiratória que ocasionam regride habitualmente em poucas horas, espontaneamente ou sob a influência de medicamentos «broncodilatadores». No intervalo das crises, a criança em geral não experimenta qualquer incómodo. No entanto, alguns esforços funcionais respiratórios, que abordaremos mais adiante, são susceptíveis de provocar nas crianças perturbações da função respiratória que o exame não permite suspeitar.

A frequência da asma é mal conhecida entre a população geral, como testemunham vários inquéritos. A prevalência, ou seja, o número de pacientes atingidos pela afecção, que vivem durante um período e numa área geográfica determinados, varia ente 0,8 e 12,1%. Estas divergências são atribuídas às incertezas da definição da asma e à diversidade dos métodos de análise estatística. A asma de crises frequentes, com início na infância e evoluindo até aos 16 anos, representa 2 a 5% da população infantil. A prevalência eleva-se entre 10 e 19%, se tomarmos em consideração a asma do bebé.

Alguns números permitem ilustrar a importância desta doença e das alérgicas como problema de saúde pública. Há 6 a 8 milhões de asmáticos, dos quais 1,5 milhão de crianças nos Estados Unidos. Em França, com base no número de 700000 recém-nascidos por ano, podem prever-se 14000 a 35000 asmáticos e 70 000 a 133 000 pacientes portadores de alergias diversas. Nos últimos anos, registou-se um aumento progressivo da frequência das doenças alérgicas. Na Grã-Bretanha, num período de 11 anos, o aumento da prevalência da asma foi de 22% entre os estudantes de Birmingham.

A asma ataca com maior frequência os rapazes que as raparigas, pois conta-se habitualmente uma rapariga para dois rapazes afectados. As estimativas respeitantes à idade da sua aparição são muito divergentes: as primeiras crises começam durante o primeiro ano de vida em 10 a 15% dos casos e antes do quinto ano em 65 a 95%. As asmas de aparição mais tardia, após os 10 anos, são muito mais raras (menos de 10% dos casos). Encontram-se antecedentes alérgicos familiares em 49 a 75% dos casos, com leve predominância no ramo maternal. A prática quotidiana revela bem a existência de uma «hereditariedade alérgica», mas, apesar de numerosos trabalhos, não foi possível estabelecer o seu modo de transmissão exacto. Pensa-se que, a par de factores genéticos, intervêm muitos outros, resultantes do ambiente.

Podemos então levantar a questão de saber se a asma é uma afecção provocada por diferentes mecanismos («doença asmática») ou se, pelo contrário, resulta de perturbações distintas com a capacidade comum de provocar uma dificuldade ao escoamento do ar nas vias aéreas («síndroma asmático»). Parece que a tendência actual reside em considerar que se trata de um síndroma com, na base, uma aptidão particular dos brânquios, que reagem reduzindo o seu calibre, em resposta a agressões variadas infecciosas, alergénicas, irritativas, meteorológicas, psicoafectivas ou outras. Torna-se então capital apreciar o papel exacto desses diferentes factores no desencadear das crises, por forma a tratar eficazmente não só os sintomas da afecção, mas sobretudo a causa ou causas.

causas mais comuns para a falta de ar

As causas são múltiplas, sendo as mais frequentes as pulmonares ou cardíacas.

Dentre as pulmonares, as mais comuns são asma, bronquite (podendo ser aguda ou crônica), enfisema pulmonar, derrame pleural, doenças intersticiais e tumores.

Dentre as doenças cardíacas predomina a insuficiência cardíaca. Assim, podemos dizer que o comprometimento dos brônquios impede a chegada de uma quantidade adequada de ar (oxigênio), que se observa nas bronquites.

A redução do oxigênio pode ser também secundária à menor expansão do pulmão, que ocorre nos casos de derrame pleural, ou à congestão, ou seja, o acúmulo de líquido dentro do pulmão, que ocorre quando o coração funciona de forma insuficiente.

Nos quadros intersticiais, em que ocorre o comprometimento da parede que separa os alvéolos (onde ocorrem as trocas entre o ar e o sangue), há uma redução da passagem de oxigênio do alvéolo para o sangue, o que explica a menor presença de oxigênio nos tecidos.

Outros fatores não especificamente cardiopulmonares também podem provocar falta de ar, como a anemia e os problemas neuromusculares.